Sociedade Brasileira de História da Psicologia

Nota da SBHP em defesa da democracia

Nota da Sociedade Brasileira de História da Psicologia em defesa da democracia

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A Sociedade Brasileira de História da Psicologia (SBHP) vem a público, neste momento decisivo para o país, reafirmar seu compromisso com a democracia, a ciência, a memória e a ampliação de direitos, e manifestar seu apoio às forças políticas do campo democrático e popular que defendem esses valores.

Nosso ofício é a História. A Historiografia da Psicologia no Brasil tem demonstrado que os saberes psicológicos não se constituem à margem das disputas sociais e políticas. Em diferentes momentos, foram mobilizados como instrumentos de classificação e controle, como nas teorias raciais e eugênicas, na higiene mental, na lógica manicomial e na colaboração de profissionais com regimes autoritários. Foram também articulados a projetos emancipatórios, como a crítica às instituições totais, a reforma psiquiátrica e a luta antimanicomial, o compromisso social da profissão e a denúncia da violência de Estado. Esse acúmulo de pesquisas permite afirmar que a orientação ética e política de um campo de conhecimento depende das condições institucionais e dos projetos de sociedade que o sustentam.

Sabemos que o passado não está encerrado: seus sentidos são disputados no presente, e o esquecimento, longe de ser neutro, é uma operação política. Defender a memória é recusar o negacionismo histórico, reconhecer as violações de direitos cometidas pelo Estado e valorizar os processos de verdade, justiça e reparação. Defender a ciência é recusar o negacionismo científico, cujos custos sociais e sanitários o Brasil conheceu de forma trágica nos anos recentes. Ambos os negacionismos caminham juntos e corroem a vida democrática. A ciência brasileira depende de universidades públicas fortes, de financiamento regular à pesquisa e de liberdade acadêmica, condições que só a democracia assegura.

Como pesquisadoras e pesquisadores da Psicologia, sabemos também que o autoritarismo produz sofrimento e se inscreve nas subjetividades e nas memórias de gerações. Uma Psicologia comprometida com a dignidade humana não pode ser indiferente a projetos que atacam direitos, minorias e instituições.

Reconhecemos, por isso, a relevância de projetos de país orientados pela redução das desigualdades, pelo enfrentamento da fome e da pobreza, pela universalidade do Sistema Único de Saúde e da Rede de Atenção Psicossocial, pela valorização da educação pública, pelas políticas de igualdade racial e de gênero, pela proteção dos povos indígenas e das populações vulnerabilizadas e pela centralidade dos direitos humanos. Tais compromissos são coerentes com a tradição crítica da Psicologia, para a qual a dignidade humana pressupõe condições materiais, sociais e políticas de existência.

Diante disso, a SBHP convoca seus associados, a comunidade acadêmica e a sociedade brasileira a votar em defesa da democracia, da ciência, da educação pública, da memória e dos direitos humanos, e a apoiar as forças políticas que os asseguram.

História, memória, ciência e democracia, sempre!

Diretoria da Sociedade Brasileira de História da Psicologia – SBHP (Gestão 2025-2027)